Conservação e Restauro 5

Conservação e Restauro
5 ECTS; 2º Ano, 2º Semestre, 15,0 T + 60,0 PL + 3,0 OT

Docente(s)
- Fernando dos Santos Antunes

Pré-requisitos
Não aplicável.

Objetivos
-Conhecer os principais estilos e correntes estético-artísticas internacionais e portuguesas da produção retabular e da talha.
-Identificar os materiais, técnicas e tecnologias da produção dos objectos.
-Compreender e relacionar as características culturais do objecto: artísticas e estéticas; iconográficas e iconológicas; funcionais e sociológicas.
-Avaliar o estado de conservação do objecto e diagnosticar, tendo em conta os fatores de deterioração, as intervenções anteriores, o seu contexto ambiental e histórico.
-Identificar e compreender a alterabilidade e alteração do objecto: envelhecimento natural dos materiais; e a alteração - danos e patologias.
-Formular, fundamentar e aplicar metodologias de intervenção tendo em conta os princípios éticos do domínio da conservação e restauro.
-Conhecer e compreender os principais procedimentos - materiais e técnicas - para a conservação e restauro de retábulos e talha.

Programa
A. RETABULÍSTICA E TALHA: INTERVENIENTES, MATERIAIS E TÉCNICAS DE PRODUÇÃO
1. Breve introdução à história da retabulística e da talha em Portugal
2. Os intervenientes no processo de produção artística
2.1. Os entalhadores
2.2. Os carpinteiros marceneiros
2.3. Os pintores douradores
3. As estruturas e suportes
3.1. As madeiras na talha
3.2. A construção e a arte de entalhar
4. As superfícies
4.1. As camadas de preparações
4.2. As folhas metálicas
4.2.1. A arte de dourar e pratear
4.3. Os pigmentos, ceras, óleos e vernizes
4.4. Outros materiais decorativos: vidros, pedras, tecidos

B. CAUSAS DE ALTERAÇÃO E DETERIORAÇÃO DOS SUPORTES EM MADEIRA
1. Causas de natureza física
1.1. Temperatura e Humidade Relativa
1.2. Acção mecânica
2. Causas de natureza química
2.1. Poluentes sólidos líquidos e gasosos
2.2. Reagentes sólidos e líquidos
3. Causas de natureza biológica
3.1. Micro-organismos – pestes
3.2. Macro-organismos – pragas
3.3. Animais e plantas daninhos

C. TEORIA DA CONSERVAÇÃO E RESTAURO NA RETABULÍSTICA E TALHA
1. Tipos de intervenção – preventiva, conservativa, restitutiva
2. Critérios e aspectos a ter em conta

D. FASE PREPARATÓRIA DOS TRATAMENTOS
1. Regras básicas de organização e funcionamento no laboratório e no estaleiro
2. Registo e documentação da obra e processo intervenção
2.1. Execução de registos fotográficos
2.2. Execução de esquemas gráficos
2.3. Execução de desenho-técnico e de mapeamentos
2.4. Preenchimento de Ficha Técnica e Folha-de-Obra
3. Identificação dos materiais e técnicas do objeto
3.1. Identificação à vista desarmada
3.2. Identificação macroscópica e microscópica
3.3. Identificação com o recurso a exames e análises
4. Observação e análise do estado de conservação
4.1. Identificação das condições ambientais do local de proveniência da obra
4.2. Identificação das intervenções anteriores
4.3. Identificação de situações passíveis de recurso a exames e análises
5. Discussão dos resultados e elaboração de diagnóstico
6. Formulação de proposta de tratamento

E. TRATAMENTOS DE CONSERVAÇÃO E RESTAURO
1. Tratamento de estruturas e suporte
1.1.Desmontagem de elementos
1.2. Imunização / Desinfestação
1.3. Consolidação
1.4. Estabilização e protecção dos elementos metálicos
1.5. Revisão de ligações e encaixes
1.6. Reconstituição de elementos estruturais
1.7. Ligação e colagem de elementos
1.8. Preenchimento de lacunas
1.9. Reconstituição de elementos em falta
2. Tratamento de superfície
2.1. Pré-fixação e Fixação de estratos de superfície
2.2. Fixação/colagem de elementos decorativos ou de revestimento
2.3. Sistemas de Limpeza
2.3.1. Tipos de limpeza
2.3.2. Testes de solubilização de estratos
2.3.3. Remoção de repintes
2.3.4. Manuseamento de produtos e materiais – cuidados e protecção
2.4. Preenchimento de lacunas
2.4.1. Nivelamento dos preenchimentos
2.5. Reintegração cromática e pictórica
2.6. Aplicação de camada de protecção

Metodologia de avaliação
Atos de Avaliação Integrada e Sua Ponderação na Avaliação Contínua e Final:
Teórica (50%)
-Ficha Técnica + Folha de Obra (25%)
-Trabalho Escrito (25%)

Prática Laboratorial (50%):
-Desempenho (35%)
-Assiduidade/participação (15%)

Informação complementar:
-Os alunos ficam obrigados a cumprir todos os itens da avaliação, podendo escolher ser globalmente avaliados em avaliação contínua, ou em avaliação final;
-Os alunos, para serem admitidos à avaliação final, tem de ter avaliação positiva à componente prática laboratorial, com o mínimo de 9,5 valores, em avaliação contínua;
-Os alunos poderão submeter os trabalhos escritos da componente teórica em avaliação final - época de exame;
-Eventuais melhorias serão feitas apenas à componente teórica - trabalhos escritos - sendo considerada na ponderação final global a avaliação obtida na componente prática laboratorial.

Bibliografia
- LAMEIRA (et. al.), F. (2017). Retábulos (…). Colecção Promontória Monográfica, História da Arte. (Vol. 1-15). Faro: Departamento de Artes e Humanidades, Universidade do Algarve.
- GLÓRIA (Coord.), A. (2016). O Retábulo no Espaço Ibero-Americano: Forma, função e iconografia. (Vol. 1 e 2). Lisboa: Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas / Universidade Nova.
- OLIVEIRA (Coord.), E. (2019). 18 Olhares Sobre André Soares. (Vol. 1 e 2). Braga: Edição do Autor.
- DESCAMPS (Dir.), F. (2002). Metodología para la Conservación de Retablos de Madera Policromada. Seminario Internacional Organizado por el Getty Conservation Institute y el Instituto Andaluz del Patrimonio Histórico Sevilla, mayo 2002. Sevilla: Junta de Andalucía. Consejería de Cultura / The J. Paul Getty Trust.

Método de interação
Aulas Teóricas, de carácter expositivo. Aulas Práticas laboratoriais, sessões de aplicação prática onde se desenvolvem intervenções em retábulos e talha, sob orientação do docente. Orientação tutorial, apoio pedagógico, técnico e científico ao aluno.

Software utilizado nas aulas
Não aplicável.