A negligência das ciências humanas e fundamentais em benefício da tecnologia e da educação está a levar, no entanto, ao aumento da alienação, da rutura social e da incapacidade de prevenir grandes colapsos civilizacionais (por exemplo, Iraque, Síria, Líbia, Sudão do Sul etc.). Paradoxalmente, é a ocasião para as ciências humanas de encontrarem novamente um interesse social no seu próprio escopo, desde que se projete uma agenda para atender a tal interesse. Nesse sentido, seria errado pensar que as Humanidades estão mais próximas das ciências sociais do que das ciências naturais, por exemplo, porque isso restringiria o escopo das ciências humanas, que hoje é muito relevante para a pesquisa em neurociências, por exemplo, dado que uma característica do processo de aceleração é o facto de que todos os campos do conhecimento permeiam os demais.
Em tempos de incerteza, não é o momento de definir metas detalhadas, mas de estabelecer um quadro flexível de referência, capaz de federar a pesquisa e de delinear um caminho convergente.
O CIPSH empenhou-se, com a UNESCO, numa profunda reestruturação das Humanidades, em quatro dimensões principais, para as quais a cátedra HUM.CILM pretende contribuir: a reestruturação do modus operandi das Humanidades (novas cátedras UNESCO em temas transversais sendo uma útil ferramenta para esse propósito), reconectar as Humanidades com as preocupações da vida quotidiana (a Gestão Cultural Integrada do Território tem precisamente esse objetivo), re-conectar as Humanidades com outras ciências, educação e artes (este é um dos pilares da abordagem HUM.CILM) e  reconfigurar o quadro epistemológico global das Humanidades (a cátedra contribui para essa reflexão).
A Conferência Mundial de Humanidades, em 2017, levou a cinco resultados principais: institucional (novos membros e campos de estudo), estratégico (um primeiro estado da arte das humanidades ilustrado através da CMH em seis áreas-chave, agora publicado e disponível online), networking (com a UNESCO, com outros conselhos internacionais, mas também entre membros do CIPSH), orgânico (através de novas estruturas, como as novas cátedras de Humanidades da UNESCO) e operacional (através de novos programas, nomeadamente a História Global da Humanidade , o Relatório Mundial das Humanidades e outros).
A contribuição das humanidades parece ser, neste estágio, a de reintroduzir o raciocínio crítico de médio e longo prazo nas preocupações quotidianas, recusando-se a cair na armadilha de fornecer soluções de curto prazo, ao mesmo tempo que recupera e fortalece as noções fundamentais de espaço, tempo, e causalidade. No entanto, em tempos de transição e incerteza, seria arriscado estabelecer uma agenda final para as humanidades. Esta é a razão pela qual o documento final da Conferência Mundial de Humanidades deve ser entendido não como um programa, mas como um roteiro flexível, que permite avançar e integrar novas necessidades e desafios da sociedade.
As humanidades hoje tratam de retomar a racionalidade para compreender as coisas, promovendo uma práxis de conhecimento e construindo um programa de transição, enraizado em projetos e plataformas para reconstruir o raciocínio crítico e o conhecimento integrador.
Isto requer várias abordagens adaptativas que se agrupam em sete movimentos de mudança:
a)    dos problemas para os dilemas (entender que a adaptação não é resolver todos os problemas, que eventualmente serão resolvidos, mas fazer escolhas adequadas diante de determinadas restrições contextuais em cada momento);
b)    da alienação para o conhecimento crítico (isto é, envolvendo a maioria da população no processo de produzir novos conhecimentos e não meramente de os reproduzir);
c)    de redes sociais hierarquizadas para redes socioculturais colaborativas (baseadas na proximidade ou noutras referências);
d)    da tolerância para o apreço, isto é, da aceitação da existência de outros que ainda são considerados principalmente como diferentes e ocasionalmente como inferiores, para o entendimento de que cada cultura completa as lacunas nas outras culturas, sendo assim uma necessidade a promover e não uma dificuldade a tolerar;
e)    da depressão (económica e psicológica) para a compreensão global, enraizada no conhecimento académico;
f)    do ativismo para compreensão do sentido das coisas e das ações; e
g)    do apartheid das ciências e humanidades para respostas adaptativas integradas.
A cátedra HUM.CILM é, em estreita colaboração com a associação internacional APHELEIA (www.apheleiaproject.org), enquadrada como parte da estratégia do CIPSH.

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