História Moderna e da Expansão Maritima Portuguesa

Pós-Graduação em Arqueologia, Gestão e Educação Patrimonial
2 ECTS; 1º Ano, 2º Semestre, 10,0 T + 5,0 TP

Docente(s)
- Fernando Augusto Desterro Oudinot Larcher Nunes

Pré-requisitos
Não aplivável.

Objetivos
O objectivo da disciplina de História Moderna e da Expansão Marítima é o conhecimento dos principais horizontes da expansão portuguesa, considerando duas temáticas: uma, abrangente, com a evolução dessa expansão nos séculos XV e XVI; outra, mais detalhada, centrada no Brasil, de 1808 a 1822.

Programa
Parte I. Os Séculos XV e XVI
I. O Século XV: os primórdios da Expansão Marítima
1. Portugal e a Cruzada no norte de África, da conquista de Ceuta, em 1415, ao final do reinado de D.João II (1495) - das praças setentrionais ao contorno da costa continental
2. Do norte de África às ilhas Atlânticas: das Canárias à descoberta oficial e povoamento dos arquipélagos da Madeira e dos Açores
3. O Infante D.Henrique, paradigma da encruzilhada dos tempos medievais e modernos:
3.1. O Infante e as conquistas no norte de África
3.2. actividades económicas e estratégias marítimas;
3.3. os progressos náuticos e a Escola de Sagres
3.4. as estratégias políticas e o governo da Ordem de Cristo; a génese do Padroado e da doutrina do Mare Clausum
3.5. as vilas do Infante e o seu desenvolvimento; o caso específico de Tomar
4. A primeira fase de uma concorrência castelhana:
4.1. as disputas em torno das Canárias
4.2. o Tratado de Toledo (1480)
4.3. Cristóvão Colombo e política ultramarina de D.João II; a construção do castelo da Mina
4.4. o Tratado de Tordesilhas (1494): os factos e o seu significado no campo do Direito Internacional
5. as grandes etapas dos Descobrimentos: o balanço de um século - dos novos rumos atlânticos ao extremo-oriente e Américas
6. A Ordem de Cristo e o seu lugar no contexto das navegações quatrocentistas.

II. O século XVI: a construção do império até finais da dinastia de Avis
1. D.Manuel (1495 - 1521) e a formação do império:
1.1. A construção do império, no quadro da formação do Estado Moderno
1.2. as estratégias para o oriente:
1.2.1. a concretização do acesso marítimo à Índia: a armada de Vasco da Gama
1.2.2. as medidas face às dificuldades na relação com soberanos locais (a génese da carreira da Índia; a acção de D. Francisco de Almeida)
1.2.3. a política régia junto da corte pontifícia: a ligação de um projecto de cruzada ao oriente; a obtenção de privilégios e mercês, nomeadamente das comendas novas;
1.2.4. o apoio régio ao projecto de Afonso de Albuquerque
1.3. a conquista de praças no norte de África;
1.4. a descoberta do Brasil; as primeiras medidas relativas ao território americano
1.5. o lugar do império no renascimento e humanismo manuelino
2. O reinado de D.João III (1521 - 1557): a política face ao Oriente, África e Brasil:
2.1. Da Índia ao Extremo-Oriente:
2.1.1. principais factos e governantes
2.1.2. o comércio a uma escala mundial
2.1.3. o contacto com outras culturas
2.2. O norte de África: o polémico abandono das praças de Safim, Azamor, Alcácer-Ceguer e Arzila
2.3. O Brasil: as primeiras medidas de colonização: da fundação de capitanias ao governo geral (capitães donatários e seus poderes; dificuldades e relação com os nativos; povoamento e colonização; o primeiro governador, Tomé de Sousa)
2.4. a concorrência internacional:
2.4.1. os conflitos com Castela; o destaque da Questão das Molucas;
2.4.2. os atritos com França: os confrontos entre armadas portuguesas e francesas na costa do Brasil
3. Os finais da dinastia de Avis: Breve panorama geral do império.

Parte II. A Mudança da Corte para o Brasil e O Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1808-1822)
I. A mudança da Corte para o Brasil
1. A conjuntura portuguesa nas vésperas da Primeira invasão francesa.
2. A partida da família real e de mais de 14.000 pessoas para o Brasil no final de Novembro de 1807.
3. A passagem pela Baía (24 Jan.-26 Fev.) e a abertura dos portos brasileiros ao tráfego internacional, em 28 de Jan.de 1808.
4. O Rio de Janeiro sede da monarquia.
5. As grandes linhas das medidas adoptadas: a administração central, o fomento económico, a colonização, o fomento cultural.
6. O contexto da América espanhola a partir de 1810.
7. A alteração da conjuntura europeia com a abdicação de Napoleão (1814) e a determinação de D.João de permanecer no Brasil.
II. O Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves
8. A elevação do Brasil a reino unido ao de Portugal e Algarves (16 de Dezembro de 1815)
9. A Revolução pernambucana (Março-Maio 1817)
10. A coroação de D.João VI (6 Fev.1818)
11. A revolução de Cádiz (1 Jan.1820) e as suas repercussões
12. A revolução liberal no Porto e as suas implicações no Brasil
13. O regresso de D.João VI a Portugal e a designação do Príncipe D.Pedro como regente
14. As vicissitudes da regência de D.Pedro e o seu confronto com as Cortes vintistas
III. O fim de facto do Reino Unido com a independência do Brasil (7 Set.1822)

Metodologia de avaliação
A avaliação consiste:

a) Numa frequência, na qual será necessário obter a classificação final mínima de 10 (dez) valores para aprovação na cadeira, dispensando de exame;
b) Um exame final escrito para os alunos que não tiverem obtido aprovação na frequência, no qual é exigível também a classificação de 10 (dez) valores, sob pena de exclusão.

Bibliografia
- ALBUQUERQUE, L. (1994). Dicionário de História dos Descobrimentos Portugueses, dirigido por. (Vol. 2 vs.). Lisboa: Caminho
- MATTOSO, J. (1992). História de Portugal, sob direcção de. (Vol. 8vs). Lisboa: Círculo de Leirores
- BETHENCOURT, F. (1998). História da Expansão Portuguesa, dirigida por. Lisboa: Círculo de Leitores
- SILVA, M. (2008). O Império Luso-Brasileiro, 1750-1822, sob direcção de. Lisboa: Estampa

Método de interação
Aulas teóricas expositivas, acompanhadas de projecções de textos, documentos, mapas e algumas imagens do património arquitectónico e artístico relacionado com os temas abordados.

Software utilizado nas aulas