Teoria e Crítica da Arte

Mestrado em Conservação e Restauro
5.5 ECTS; 1º Ano, 1º Semestre, 45,0 T + 15,0 TP + 3,0 OT

Docente(s)
- Maria Teresa Ribeiro Pereira Desterro

Pré-requisitos
Não aplicável

Objetivos
Compreender as problemáticas artísticas, a fim de ser capaz de dialogar com as obras de arte do ponto de vista formal e conceptual, partindo da definição de conceitos, fundamentos, objectivos e também limites, da ciência histórico-artística.
Adquirir ferramentas operativas de análise e investigação sobre as obras de arte, Construir um discurso científico que recorra a metodologias de abordagem com abertura a cruzamentos interdisciplinares.
Consciencializar para práticas da conservação e de salvaguarda,e organização estruturada de uma pesquisa analítico-descritiva devidamente contextualizada.
Desenvolver a capacidade analítica e o espírito crítico face à produção artística


Programa
I-Problematização em torno da abordagem à obra de Arte
1 - O estatuto da obra de arte e sua evolução.
1.1 - O conceito de objecto artístico e sua evolução.
1.2 – O conceito de obra-prima.

2 - Criação artística e juízo estético.
2.1 - A problemática do gosto. Do gosto ao estético.
2.2 - Valor artístico e valor estético.

3 - Reflexões sobre a disciplina de História da Arte
3.1. A disciplina da História da Arte (autonomia, dimensão, utilidade) e o agente da disciplina (de connoisseur a historiador-crítico de arte)
3.2 - A situação actual da História de Arte-Ciência
3.3 - A produção artística como "obra aberta" (Umberto Eco)
3.4 - A interpretação da obra de arte.
3.4.1 - Noção de programa artístico e de "trans-memória" Imagética.
3.5 A relação da história da arte com outras áreas e saberes científicos
3.6. Os agentes da produção artística: artistas, encomendantes, mecenas, clientes.

4- Métodos de investigação na disciplina da História da Arte
4.1. A investigação heurística e a pesquisa de arquivo: as fontes (manuscritas e iconográficas), sua recensão, organização e tratamento
4.2. A pesquisa bibliográfica: elaboração de uma ficha de leitura de obra de arte e de um estado da questão
4.3. A observação analítica da obra de arte: a obra de arte como principal documento do historiador de arte
4.4. A investigação heurística e a pesquisa de arquivo: as fontes, sua recensão, organização e tratamento. A Icononímia. A regesta documental e a bibliografia
4.5. A construção de um trabalho de investigação: plano, corpo de texto, notas, organização de anexos. Diálogos do historiador de arte com o seu objecto de pesquisa: organização da Fortuna Histórica, da Fortuna Crítica e da Fortuna Estética
4.6. A História da Arte como globalidade: a Micro-História da Arte, a Cripto-História da Arte e a História da Arte Total
4.7. A ficha analítico-descritiva da obra de arte particular.

5. Fontes e géneros literários da História da Arte
5.1. Os tratados de arte (Vitrúvio, Leon Battista Alberti, Lorenzo Ghiberti, Andrea Palladio, Sebastiano Serlio)
5.2. As biografias de artistas (Giorgio Vasari, Giovan Pietro Bellori, Cirillo Volkmar Machado)
5.3. Os diários de artistas (Jacopo Pontormo)
5.4. Os “diálogos“ (Pomponio Gaurico, Francisco de Holanda)
5.5. As “parangonas” (Benedetto Varchi)
5.6. Os manuais técnicos (Teófilo, Cennino Cennini, Filipe Nunes).

6. A história da arte e a conservação / revalorização do património artístico
6.1. O inventário de património artístico
6.2. A musealização das obras de arte
6.3. A UNESCO e as grandes medidas de protecção dos bens culturais e artísticos.

7 - Proximidades e afastamentos epistemológicos:
7.1 - História de Arte
7.2 - Estética
7.3 - Teorias da Arte
7.4 - Crítica de Arte.

II- As Teorias e a Crítica de Arte: sua importância na reflexão sobre o fenómeno artístico.

1 – Ética e Estética na Antiguidade Clássica: a obra artística num mundo de deuses e heróis.
1.1 - As teorias da Arte na Antiguidade.
1.2 – Imagem mitológica e fontes literárias. Ovídeo e as Metamorfoses
1.3 - O aparecimento do "Cânone" na Grécia.
1.4 - Vitrúvio e o primeiro Tratado artístico.

2 - Arte e Beleza na Estética Medieval: a arte ao serviço da religião.
2.1- A natureza simbólica e alegórica da obra de arte.
2.2- Sº Agostinho e S. Tomás de Aquino.
2.3 -O abade Suger e S. Bernardo.
2.4 -O "Livro da Arte" de Cennino Cennini.

3 - A Época Moderna: quatro séculos de um novo paradigma artístico.
3.1- A nova teoria da imagem artística ocidental.
3.1.1 - O conceito de "bela-arte". A secularização da imagem
3.1.2 - A importância da Ekphrasis e da semiologia da arte.
3.2 - A arte como "cosa mentale" e o estatuto social do artista.
3.2.1 –O movimento Neoplatónico florentino
3.3 - A consagração da Tratadística.
3.3.1 - A realidade portuguesa: Francisco de Holanda e a importância da sua obra no contexto da Teoria da Arte europeia.
3.4 - A Contra-Reforma e suas implicações na produção artística.
3.4.1 - O Concílio de Trento e os novos textos produzidos sobre matéria artística.
3.5 - O debate ideológico e o papel das artes no fim do Antigo Regime.
3.6 - As Academias: teoria e prática no ensino artístico.

4- Arte e Crítica na Época Contemporânea.
4.1- Origens da Crítica de Arte: seus limites e funções.
4.2- As Teorias da Arte: entre o excesso e a ausência teórica.
4.2.1 - O conceito de História da Arte total
4.2.2 - A (des)construção dos conceitos de Arte e beleza.
4.2.3 - Noção de trans-contemporaneidade no exercício do "saber ver".
4.3 - A função social da Arte.
4.3.1 – As novas metodologias pluridisciplinares da História da Arte
4.3.2 – A conceptualização analítico-descritiva e crítica dos fenómenos artísticos
4.4 – A importância de uma “Nova Iconologia” na abordagem à obra de arte

Metodologia de avaliação
*assiduidade, interesse, empenho e capacidade de apresentar trabalhos inovadores (10%)
*capacidade de reflexão, intervenção e discussão de temas durante as aulas (10%)
*trabalho de investigação, escrito e apresentado oralmente - época de exames (80%

Bibliografia

Método de interação
Aulas teóricas e teórico-práticas partindo da análise de obras de arte e da interpretação de textos significativos, procurando fazer o enquadramento cultural e artístico das questões em análise e convocar a reflexão dos alunos e o debate construtivo.

Software utilizado nas aulas